sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Baltazar Tolentino

Vai, mísero cavalo lazarento,

Pastar longas campinas livremente;
Não percas tempo, enquanto to consente
De magros cães faminto ajuntamento.
Esta sela, teu único ornamento,
Para sinal da minha dor veemente,
De torto prego ficará pendente,
Despojo inútil do inconstante vento.
Morre em paz, que, em havendo algum dinheiro,
Hei-de mandar, em honra de teu nome,
Abrir em negra pedra este letreiro:
«Aqui piedoso entulho os ossos come
Do mais fiel, mais rápido sendeiro,
Que fora eterno, a não morrer de fome».

Entredentes afloraram-lhe estas velhas palavras rematando que aquela velha montada tinha para aí uns 50 anos, que lhe veio parar às mãos já usada por um ilustrado poeta de Sagres...

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