quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

A noite cabisbaixa




Dentro de mim canto intenso
Um cantar que não é meu,
Cantar que ficou suspenso,
Cantar que ja se perdeu.

Onde teria eu ouvido
Esta voz cantar assim,
Ja lhe perdi o sentido,
Cantar que passa perdido,
Que não é meu estando em mim.

Sonhando sonhando sonho,
Um sonho lento, tristonho
De nuvens a esfiapar
E novamente no sonho
Passa de novo a cantar.

Sobre um lago onde em sossego
As águas olham o céu,
Roca a asa de um morcego
E ao longe o cantar morreu.

Onde teria eu ouvido
Esta voz cantar assim,
Já lhe perdi o sentido,
E este cenário partido
Volta a voltar repetido
E o cantar recanta em mim.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Quando tudo falta



Falta a chefe que tá com gripe suínica, falta o guito para os espanhóis, falta o carcanhol do final do mês que já cá está e não há, falta tempo para caçar gambuzinos, falta açorda na panela para puxar a carroça, falta a fé e o fado, faltam os remédios para a tosse, faltam os remendos que já gastámos todos, falta a sorte que nunca foi muita, falta a paciência certamente, só falta perguntar que mais irá fazer falta por tudo e por nada?

sábado, 5 de dezembro de 2009

Sorteios e sortudos



Quase perdi o juizinho no entanto um golpe de sorte, o teatro do bem, encarreirou de forma perturbadora a última bolinha para junto da petanca e ganhei a parada. Parece que é uma das poucas coisas que mexe em Portugal o resto tá tudo parado à espera do Condestável ou da viúva do Zé Martelo para nos dar uma sopita de pedra e boas palavras.

Jacobinismo diletante


Porra! mas agora está a ser demais. Leo Ferré e tal es muss ein Wunderbares sein sempre a bombar na plantação de crisântemos, quilometragem a partir e um home num é de ferro quanto mais de bronze. Prontos também não é assim tão mau, em tempos de fome como estes de repente dar de caras com um petisco de navalheiras em casa do Baltazar Andrade é de dar uns urros de felicidade pela recuperação da moral extrudida. Mais ainda: não é que o gato encontrou o calhau em altos envolvimentos psicosomáticos e também recuperou a autoestima e encetou novas aventuras na sua recheada e glamorosa agenda de artista do vidro soprado?
As enxurradas é que dão cabo de nós. Já ando a pensar se isto não é fruto da minha apetência para o xamanismo pueril, desconfio que tanta confusão seguida precisa de medidas mais profissionais. Poeiraaaa.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Inconsistência fugaz


“Da minha janela à tua

vai o salto de uma cobra.”

Casal Boss


Um casal como outro qualquer, nada tinham a ver um com o outro mas as circunstâncias do destino tinham-nos juntado em cerimónia protocolar para tomarem as rédeas de um negócio assaz interessante mas igualmente afectado pela cavalgante crise que assolava o país, o mundo e os arredores. Ele na sua cobardia e estulticia lá foi fazer figura e tomar posse dos 5% dos piri-piris. A coisa lá foi andando, ora empurra ali, encosta aqui, enxota acolá. Mas os lobos espreitam a pelezinha frágil do negócio principalmente neste Portugal em bicos de pés.
Chill out antes de chill in.