sexta-feira, 27 de março de 2009

A arte de bem cavalgar toda a sela

Descansando na fonte das andorinhas (Odemira)

Eh lá! é o Tózé da bicicleta que vai à Boavista dos Pinheiros dar uma capadela num porco.

Theonetoo em pleno catanço de uma Rolex. Viva o luxo das Fontes da Matosa!

Ao tempo que ando atrás desta padroeira. Aljezur co Ti Zé Rambóia estava a comer pipis mais para a esquerda.

È anche ben noto che i buoni cavalli portano la gioia nei cuori dei cavalieri, se sono almeno ragionevolmente abili.
Catando as motocas ao sabor dos interlúdios, um dum lado o outro do outro e quando se ajuntam é sempre a disparar pum pum pum.
E lá diz o ditadozinho: enquanto o pau vai e vem folgam as costas.
Só um aparte. O que anda a fazer o Instituto Camões? Para se arranjar uns textos quaisquer de autores portugueses é preciso dar a volta à net toda e normalmente são uns carolas e nomedamente estrangeiros a fazer o trabalho de mais uma cáfila de mangas. Choldra!

terça-feira, 24 de março de 2009

Vai e volta



O sr. Libério Ferreira afoito na sua Ape (macaca-macaquinha), carregadinha de produtos biológicos foi à feira livre de Barão de S. João. Comprei-lhe uns moranguitos. À volta apanhei-o de novo na estrada ali no Chinicato. Fala-se que os taxadores andam atrás de todo e qualquer mortal que transacione o que quer que seja: mel, óregãos, carqueja, laranjas ou melancias. Quase de certeza que é para ajudar aos tais projectos PIN.

segunda-feira, 23 de março de 2009

O zum zum da Zundapp




Há gente que põe todos os cuidados nas coisas que usam. São atenciosas, limpas, arrumadas, ordenadas, sabem por-se a jeito para as fotografias, tomam chá, jogam paint-ball ou fazem reparações eléctricas em casas de bom tom. Esta gente é pouca mas quando aparece é como uma actriz charmosa em filme chunga, um destaque de cor num cenário a preto e branco, uma cereja em bolo comum. Há moços que causam inveja de tão certinhos. Gosto deles malgré tout.
(Cross set entre Theonetoo e KO)

sexta-feira, 20 de março de 2009

On the Rod again




Tudo se vende carapaças!
Linlins e fogaças
Livros do Hitler e murraças
Bicicletas poemas e farturas
Canecas discos velhos e loucuras
Venhem comprem cabeçudos
Amanhã já não há, acaba hoje
Depois não fiquem beiçudos

O inferno está cheio




Eu havia dado poucos passos, quando, de repente, saltou à minha frente um ágil e alegre leopardo. Astuto, de pêlos manchados, de todas as formas ele impedia que eu seguisse adiante. Não adiantava desviar ou buscar um outro caminho pois no final, ele sempre estava lá, bloqueando a minha passagem. Várias vezes tentei vencê-lo. Várias vezes falhei.
O dia já raiava e o sol nascia com aquelas mesmas estrelas que acompanharam o mundo no seu primeiro dia. A luz e a claridade daquele dia especial renovaram minhas esperanças, e me fizeram acreditar que iria conseguir vencer aquela fera malhada.
Mas a minha esperança durou pouco e o medo retornou quando vi surgir, diante de mim, um leão. Ele parecia avançar na minha direção, com a cabeça erguida, tão faminto e raivoso que até o próprio ar parecia temê-lo. E depois veio uma loba, magra e cobiçosa, cuja visão tornou minha alma tão pesada, pelo medo que me possuiu, que não vi mais esperança alguma na escalada. A loba avançava, lentamente, e me fazia descer, me empurrando de volta para aquele lugar onde a luz do Sol não entra.
Adormeceu Sam em suas melindrosas cogitações enquanto praticava a sua Shavasana (शवआसन) do final do dia.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Marcando



Os velhos dymos resistem ao passar dos anos. Mestre Bernardo da Coca Maravilhas usa-os na sua Zundappzinha como marca da sua propriedade.



domingo, 15 de março de 2009

A Arte (sobre rodas) de Aidan Bremner








O Algarve pode ter muitos defeitos. Mas posso dizer que tem uma comunidade de artistas (quase famosos) de fazer inveja ao resto do país.

O escocês Aidan Bremner vive perto de Lagos desde 1994. Durante o Verão, leva o seu triciclo com motor zundapp até ao centro histórico onde ganha a vida a fazer caricaturas.

Arte de ocasião, uma visão diferente para quem não tem medo de rir de si próprio, com a assinatura deste homem extraordinário. Ah, ele é o pai do actor Ewen Bremner (o Spud de Trainspotting).

sexta-feira, 13 de março de 2009

Aturdir preconceitos




Homem balde desce o monte das árvores que fenecem
Homem saca compra farelo na vila que ruge na serena manhã
Homem bomba abastece o seu refúgio na sombra dos mosqueteiros

quinta-feira, 12 de março de 2009

Killing Joke




1 ich bin ein kohl
2 insane strategie
3 p.q.o.p.

Dr. de que é que eu padeço?
A mim padece-me um usso.

Os tipos da MotoCebola são mesmo engraçados. Então o Zé Júlio Cartucho quando está em dia sim é dum gajo se partir todo.

http://geracao-rasca.blogspot.com/

sábado, 7 de março de 2009

Rimbaldiamento





E se anseio mares de Europa, é a poça escura e fria onde ao crepúsculo perfumado uma criança se abaixa triste e solta qual borboleta de maio um barco delicado.
Só a propósito da Patti Smith, uma referência da minha juventude.

O Pedreiro do Brejão


Os dias passam ao sabor dos estilhaços de pedra que saltam e voam à sua volta.

Só o sienito nefelínico grosseiro permanece igual ao que era no dia da criação do mundo.

A pedra é dura. Mas o pedreiro é mais forte.

Os dias e as rochas passam. Desgastam a marreta, cansam o martelo, dobram o ponteiro.

Ninguém pára para falar com o Pedreiro do Brejão, pergunta a rocha ao homem?

Que lhe importa, se assim pode fazer a sua música, com as pautas do príncipio dos tempos?

quinta-feira, 5 de março de 2009

Nabo fresquinho e graúdo!





O nabo não pertence à "aristocracia dos legumes" mas, antes do feijão e da batata, era ele o suporte de todas as sopas. Isto em tempos longínquos em que pouco mais se comia do que sopas. É talvez a esta imagem, de legume da penúria, que torcem o nariz os que não conhecem as suas potencialidades gastronómicas: sabor e textura. É uma raiz, mas pertence à família das couves, as crucíferas. Considerado legume de Inverno, é bianual e vê-se nos mercados durante todo o ano, sempre utilizado com discrição e raramente aparecendo em primeiro plano. Riquíssimo em água, cerca de 92%, curiosamente nunca tem sede e contenta-se com qualquer terreno.É a espécie que utiliza a terra onde mais nada cresce. Que o digam os naturais de Carapelhos, aldeia dos arredores de Mira, que honraram esta sua generosidade com uma confraria, a que tenho a honra de pertencer. Há quem prefira os nabos da Primavera, eu rendo-me aos de Inverno, brancos, de colarinho roxo, suculentos e bem cheios. As suas folhas, bem frescas, usam-se como qualquer hortaliça e considero-as indispensáveis numa boa sopa de feijão, levando-a a cumprir os princípios básicos da nova gastronomia. São elas, com o seu amargor e textura, o contraponto à doçura e aveludado do feijão. Os nabos são de fácil conservação, mas nada chega a um nabo fresco! Pode comer-se cru em saladas, em sopas, em guisados, de fricassé e é um dos melhores companheiros para o pato. Fazia-se por cá, nos conventos, um doce que dava pelo nome de "nabada de Semide". Na expectativa de conquistar adeptos para o nabo, um legume que tem tudo para agradar, procurei nos meus livros qualquer coisa de muito atraente e convincente. Encontrei uma verdadeira pérola no livro de Roger Vergé, um antigo e influente três estrelas Michelin. Não encontrei facilidade, mas qualquer coisa de muito bom, muito bonito e muito original.Experimentada a receita, simplifiquei o modo de a fazer e encontrei na sua confecção um óptimo antídoto ao stress.

Maria de Lurdes Modesto

terça-feira, 3 de março de 2009

Felicidade e alegria


Nem paz nem felicidade se recebem dos outros nem aos outros se dão. Está-se aqui tão sozinho como no nascer e no morrer; como de um modo geral no viver, em que a única companhia possível é a daquele Deus a um tempo imanente e transcendente e a dos que neles estão, a de seus santos. Felicidade ou paz nós as construímos ou destruímos: aqui o nosso livre-arbítrio supera a fatalidade do mundo físico e do mundo do proceder e toda a experiência que vamos fazendo, negativa mesmo para todos, a podemos transformar em positiva. Para o fazermos, se exige pouco, mas um pouco que é na realidade extremamente difícil e que não atingiremos nunca por nossas próprias forças: exige-se de nós, primacialmente, a humildade; a gratidão pelo que vem, como a de um ginasta pelo seu aparelho de exercício; a firmeza e a serenidade do capitão de navio em sua ponte, sabendo que o ata ao leme não a vontade de um rei, como nos Descobrimentos, mas a vontade de um rei de reis, revelada num servidor de servidores; finalmente, o entregar-se como uma criança a quem sabe o caminho.

De qualquer forma, no fundo de tudo, o que há é um acto de decisão individual, um acto de escolha; posso ser, se tal me agradar, infeliz e inquieto.

Não creio que se possa definir o homem como um animal cuja característica ou cujo último fim seja o de viver feliz, embora considere que nele seja essencial o viver alegre.Só por costume social deveremos desejar a alguém que seja feliz; às vezes por aquela piedade da fraqueza que leva a tomar crianças ao colo; só se deve desejar a alguém que se cumpra: e o cumprir-se inclui a desgraça e a sua superação.

Agostinho da Silva, in 'Textos e Ensaios Filosóficos'